terça-feira, 29 de Julho de 2008

Programação da gravidez após aborto

Pode ser prudente para uma mulher que passa pelo evento de um natimorto ou aborto tardio, esperar um ano antes de engravidar novamente, de acordo com um estudo publicado no British Medical Journal. Hughes e cols verificaram que um período de 1 ano permite que as mulheres se recuperem emocionalmente da perda, tornando menor a probabilidade de experimentar ansiedade e depressão em uma gravidez subsequente.
Os investigadores inscreveram 60 mulheres grávidas, cuja gravidez anterior terminara em natimorto depois de 18 semanas de gestação e 60 mulheres correspondentes primigestas. Eles conduziram entrevistas durante o terceiro trimestre e no período pós-natal com 6 semanas, 6 meses e 12 meses. Os investigadores utilizaram a Edinburgh Postnatal Depression Scale, Beck Depression Inventory e Spielberger State-Trait Inventory para investigar níveis de depressão e ansiedade nos indivíduos. O estudo verificou que as mulheres que engravidaram dentro de um ano após perder uma criança sofriam mais sintomas de ansiedade e depressão durante o terceiro trimestre da segunda gravidez que aquelas que esperaram 12 meses ou mais. Com 6 e 26 semanas após o parto, os scores das mulheres eram mais próximos daquelas das participantes do grupo controle, mas ainda tinham mais tendência para a depressão 1 ano depois do segundo parto. Mulheres que esperaram 12 meses ou mais para engravidar uma segunda vez ficaram mais próximas do grupo controle em todas as escalas e não tiveram mais probabilidade de experimentar depressão ou ansiedade que as mulheres no grupo controle.

Ao analisar os resultados, os investigadores especularam que as mulheres possam precisar de pelo menos um ano para experimentar o processo de luto e recuperar-se dele. Também sugeriram que a gravidez possa interferir com o pesar e, consequentemente, pode prolongar a depressão e ansiedade num momento quando as mulheres precisam estar emocional e fisicamente saudáveis.
De acordo com as participantes do estudo, a programação de uma gravidez após um natimorto ou um aborto baseou-se em vários factores, incluindo idade materna, factores sociais, desejo de substituir o filho perdido e aconselhamento de outros. Os investigadores reconhecem que, à luz de tais factores, os benefícios da gravidez logo depois de uma perda podem ultrapassar o risco de possíveis sintomas psicológicos. Além disso, eles afirmam que a maioria das mulheres de facto recuperam-se da depressão e da ansiedade, que acompanham o nascimento de um segundo filho concebido menos de um ano depois de um natimorto. Desta forma, sugerem que as mulheres se conscientizem do potencial para problemas emocionais, mas que cada caso deve ser avaliado individualmente.

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